
Manhã calminha com um "cheirinho" a Zeca Afonso e às habituais saudades da "Cidade meu Amor". Escrevo no msn «saudade de um dia de sol à beira do Mondego...amo-te para sempre*»
Era assim que me estava a sentir e perdi-me um pouquinho no trinar das tristes guitarras. É um som belo, músicas que me fazem arrepiar e que me lembram do quanto fui feliz ao ouvi-las ao vivo. A tuna...a minha Tuna. As nossas canções e as nossas brincadeiras. O orgulho.
Lembro-me daquela vez em Tondela. Jantámos bem, bem regados com vinho. A minha caneca enchia-se a cada 5 minutos e toda a gente estava maravilhada com os penalties da Tinita.
Pela primeira vez, e única que me lembro, subimos a palco e estávamos todos bebados. É essa a palavra e não vale a pena estar a suavizar. Foi uma das nossas melhores actuações:cantámos tantas músicas.
Estivemos em palco imenso tempo e a plateia, apesar de ir escasseando, estava encantada. Ao pé de nós 2 garrafões de 5 litros, um deles mesmo atrás de mim. Não parámos de beber nem por um momento e cantámos melhor que nunca. Estávamos felizes. Estava tão feliz.
Acabei a noite a dormir na casa Guenue e quando fui pra casa de manhã foi um festival.Estava para morrer. Á tarde lá fomos nós para Miranda do Corvo e eu não podia sequer cheirar o alcool.
Mandaram vir um grade. Tão fresquinhas!!! E eu sem lhes tocar. Ás tantas alguém me diz, tenho a impressão que foi a Ana, "bebe uma que ajuda a curar." E assim foi!
Na nossa Tuna tudo acabava por se resolver. Sempre.
Lembro-me da primeira vez que ouvi "Vinho do Porto" do Carlos Paião, na voz dos meus padrinhos. Cantavam-na tão bem, tão certinhos. Cantavam sem parar, essa e outras. "Balada de Outono", "Traz outro amigo também".
Por isso me sinto tão bem a ouvir Zeca Afonso enquanto estou longe. Vou-me sentindo mais perto daquilo que tenho saudades: Coimbra, a Tuna, os amigos, o Mondego. Aquele aconchego.
"Cidade Eterna de Amor, onde o fado canta a saudade..."

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